Faz tempo que não indico um link de alguém fora do automobilismo. Mas o blog do Bruno Mazzeo (filho de Chico Anysio, criador e estrela do "Cilada", do Multishow, e, agora, ator de novela das sete) é legal pacas.
Como todo bom blog deve ser, ele aposta em suas visões pessoais. Às vezes emotivo; quase sempre ácido, como era seu programa na TV a cabo. Selecionei um post bem legal, onde ele fala sobre a loucura. Ele compara caretas como Nelson Piquet, Chico Buarque e Silvio Santos a doidos de pedra como Tim Maia, Keith Richards e, provavelmente sua inspiração, Amy Winehouse.
Seu desfecho é sensacional. Parafraseando Rodrigo Mattar: onde é que eu assino?
Depois que "estourou" em popularidade diante do público brasileiro - inclusive saindo em colunas sociais de jornais paranaenses - Vanderley Soares, o Zoião, transformou a Laje em um grande "Arquivo Confidencial".
Desde então, muitas histórias chegam à nós - uma melhor que a outra, diga-se de passagem. E não tem como não publicá-las. O "carrasco" predileto do cascavelense é o conterrâneo Luciano Monteiro, o ser da foto abaixo.
Que cena vergonhosa, né???
Enfim, vamos à história. E uma coisa é certa: não tem nada melhor do que começar a semana dando altas risadas.
O ano, não lembro, era por volta de 2000. Pouco importa.
Zoião, à época um intrépido subalterno de Sérgio Sanderson, recebeu do chefe uma missão de confiança no GP do Brasil de F-1: teria de fotografar, na catraca de acesso, a chegada de todos os pilotos a Interlagos. Missão dada, missão aceita, afinal manda quem pode e obedece quem tem juízo – embora juízo e Zoião não formem um casamento perfeito.
Enfim, naquela manhã de sábado, lá ficou nosso herói, plantado, à espera dos vinte e poucos participantes da prova. Cantarolando, distribuindo caretas pouco discretas a quem passava, até que, em dado momento, surge Rubens Barrichello. Com impressionante intrepidez, Zoião sacou de sua arma... digo, de sua máquina Canon e soltou o dedo no botão disparador. Fez quase uma filmagem. Oitenta e tantas poses em seqüência.
Cheio de orgulho, por ali permaneceu, afinal de contas teria de fotografar todos. Dali a pouco, chega Michael Schumacher, então bicampeão do mundo. E lá se disparam mais e mais poses, uma caralhada de fotos. Schumi deu tchauzinho, entrou e foi trabalhar.
Nisso, surge Sanderson, o patrão, para saber a quantas andava o serviço. “O Rubinho e o Schumas já chegaram”. Sérgio faz longo silêncio. Olha para o céu, olha para o relógio, que indicava onze-e-qualquer-coisa da manhã, e manda, bravo: “Zoião, já chegou todo mundo, já teve treino livre e tudo mais”. A resposta veio líquida e certa: “Passou uns caras (sic) aqui, mas de macacão, ninguém...”
Bem, não seria obrigação do fotógrafo saber que os pilotos de F-1, ao contrários de nós, pés-de-breque eventuais, não saem de casa – ou do hotel – com a roupa de corrida. Mas Sérgio Sanderson é, acima de tudo, um homem complacente. E paciente. Pensou, pensou e achou a solução: “Então, vá em cada box e faça fotos dos pilotos descontraídos”.
Disposto a consertar o erro cometido, lá foi o Zoião. Começou pelo box da Minardi. Antes de tomar o caminho de outro box, subiu à sala de imprensa. “Serjão, eu tô de cara... Vai ter piloto assim numa equipe só lá em Cascavel... Só naquela equipe pobrinha lá da ponta tem uns 30”. SS, queixo caído, pediu o cartão fotográfico, copiou o conteúdo em seu laptop e constatou, cabisbaixo, que ali havia fotos de todos os mecânicos da equipe, menos dos pilotos Tarso Marques e Fernando Alonso.
Dali por diante, o trabalho de Zoião foi restrito ao exame detalhado de um catálogo em inglês onde havia fotos de “boneco” de todos os pilotos da F-1, para que estudasse as fisionomias e não voltasse a pisar no tomate de tal modo. Isso, inclusive, rendeu outro caso, mas fica para a próxima...
Já estou sabendo que tem um outro fotógrafo incomodado com a ascensão de Zoião, "moroporramalandro". E ele prepara algo fantástico para este fim de semana, em Campo Grande. O jeito é aguardar.
Sexta-feira é o dia da alegria. Chega de trabalho, de formalidades, o negócio é se divertir. E nada melhor para se divertir do que um bom rock and roll! Por isso, bolei essa lista com músicas para aquecer a balada de hoje de todo mundo, seja em SP, no RS, no RJ, em Santos, em qualquer lugar!
Cláudio Stringari, representante da Laje no Paraná, me manda um e-mail com a imagem abaixo e o seguinte texto: foto publicada na coluna da Cidinha Marcon, no caderno People, da Gazeta do Paraná de hoje, 26/06/08.
"Cascavelense, fotógrafo de automobilismo, Vanderley Soares, aniversariante da quinta".
A Laje é um trampolim de grandes estrelas. Parabéns, Zóio!
Que história é essa de que te assaltaram, Zoião???
"Pois é, loko. Me deixaram liso e leve, lá na terra dos guapó. Barbaridade, quando dei por mim ja tinham me levado las coisera toda. Achei que a gauchada não era disso, mas me enganei. Loko, tava eu, humildemente, num ônibussssss, viajando pra Santa Cruz. Aí, quando desci da rodoviaria pra pegar um outro coletivo, me dei conta que me assartaram, quando fui comprar um bilhete pra pegar outra condução. Bixo, a minha sorte é que eu tinhas uns mizanpli no bolso, senão tava frito. Acho que foi quando fui ao banheiro fazer um mai lifi. Aí, loko, alguém me passou a mão, hahahahah! Que coisa horrível de se ver... Mas, graças a Deus, tô bem. Mas, loko, passaram a mão no meus pertences, não onde você tá pensando! Hahahaha. Tava liso de grana, mas um vara lá tava me devendo. Aí voltei de carona e ajudei na despesa. Mas, barbaridade, achei que no sul só tinha guapó, mas lá também têm batedores de carteiras... Agora, preciso ver os documento, porque cancelei tudo, até os cheques frios! Hahahahah! Ah, queria mandar um abração pro Américo, grande xodó meu!"
Conforme prometido, mais atualizações na coluna de videos da Laje. Vamos à programação:
- Sessão Verdão: disputa de pênaltis na semifinal da Libertadores de 2000, quando São Marcos defendeu a cobrança de Marcelinho Carioca (de novo!). Como sempre, momentos deliciosos neste quadro.
- Mundial de Beatbox: como não canto faz tempo, coloquei a segunda parte da decisão do Mundial (sim, isso existe). Dica do Henrique (ou Freddie Mercury, ou Filho do Lua, ou "Gangues de Nova York", como diz o Marcio Fonseca), responsável pela conexão na Sala de Imprensa do GT3.
- Pancadão: acidente de 20 anos atrás, na etapa de Brands Hatch da F-3000. O primeiro, de Roberto Moreno, e, o segundo, envolvendo vários pilotos, entre eles, Johnny Herbert e Gregor Foitek.
- Música da semana: um live painting de Jimi Hendrix, feito em uma tela gigante por Denny Dent em minutos, na introdução do filme "Jimi Plays Monterey".
- Um pouco de história: fala sobre as eleições de 1989. Trecho do filme "Além do Cidadão Kane", produzido pela BBC da Inglaterra e censurado por aqui.
- Rir é o melhor remédio: cenas esdrúxulas e gafes fenomenais do futebol.
Achei que, depois de dezembro passado, nunca mais falaria alguma palavra de elogio à Stock Light/Copa Vicar, mas acho que me enganei. Levando em conta as quatro primeiras corridas da temporada, posso dizer que três delas foram sensacionais e, algumas delas, as melhores do fim de semana da Stock Car (que também consiste da V8 e da Jr.).
A corrida de Brasília foi sensacional; a de Curitiba teve o pacote tradicional de confusões até a última volta - o que tornou a aposta no vencedor algo impossível -, e a deste fim de semana, em Santa Cruz do Sul, foi, para mim, a melhor do ano, contando com um belíssimo pega entre Salustiano, F Carreira, Lico, Pachenki, Daniel e Ricci, entre outros.
Conseguiu ser melhor, inclusive, que a Jr., geralmente a dona do prêmio "melhor corrida do fim de semana". A V8, tadinha, é a atração principal, tem os melhores ingredientes, mas não consegue fazer uma corrida emocionante. O duelo entre Carreira e Salustiano foi limpo (na maioria das vezes) e muito empolgante.
Contudo, esses elogios não me impedem de criticar a falta de noção de muitos pilotos, como o Luiz Carreira Jr. O que ele fez sobre o Cassio Homem de Mello em plena reta foi sem inadmissível. Ouvi dizer que ele pode ser suspenso, o que pode servir de exemplo, já que ele tem um título da Light no currículo.
Muitos ali ainda não aprenderam com a lição de Interlagos, infelizmente. Quando todos aprenderem, a Copa Nextel terá uma categoria de acesso com pilotos à altura.
O fim de semana está repleto de corridas (e trabalho, também), por isso não vou ter muito tempo para atualizar. Só que tenho uma história na manga, adivinhem de quem? Claro, Zoião. Só que este fato é narrado por outra farinha do mesmo saco, Luciano Monteiro. É de rachar.
Ano passado, um dia depois daquele meu porre em Porto Alegre, estávamos Cleocinei Zonta, Zoião e eu jantando no restaurante do Hotel Radar. Rolando o maior espeto corrido, churrasqueiro estava inspirado naquele dia, e o Zoião mandando arroz, feijão preto e lingüiça.
Dei um cutucão na canela do Zonta, armei a história e perguntei ao Zoião: "Cara, não é da minha conta, mas você vai pagar 40 paus numa janta pra comer feijão preto?"
Zoião ficou estático, nem toda a malandragem dele foi suficiente pra ele perceber que era armação. De garfo no ar, com o arroz e o feijão preto perdendo o equilíbrio, só esticou aos olhos para o Zonta, que mandou: "Eu achei estranho, mas não é da minha conta, né..."
Foram uns cinco minutos dele perguntando pra gente se era verdade, estava acreditando sem querer acreditar. Levantei, fui ao buffet me servir de mais umas cebolinhas em conserva, no caminho combinei com um garçom que trazia uma alcatra ao ao alho.
Quando o garçom chegou à mesa, sugeri: "Parceiro, quanto é por pessoa pra jantar aqui?". A resposta, natural, veio caprichada: "São 40 reais, mais o percentual do garçom, senhor". O Zóio queria morrer, já tinha comido um quilo e meio de arroz/feijão preto/lingüiça. Determinado, ele decidiu:
"Cara, se vou gastar 40 pila pra jantar aqui, vou comer até amanhã cedo".
Sem força de expressão, cara, o Zonta e eu ficamos assustados. O homem ia passar mal. Agora descontado o exagero, passou brincando do 1,5 kg de rango.
Como conversar com uma pessoa que fala outra língua no MSN. No caso deste indivíduo, o "Zoiês":
Zoião: Vigarios Vicaria: Fala Zóio! Zoião: Você tem o Nextel do Nei Tesano? Vicaria: Tenho, o número é esse 24*6969 Zoião: Não, o número (careta virtual) Vicaria: Ah, esse eu não tenho... Você devia ter um Nextel, né? Zoião: Cara, aqui nao tem esses mizanpli, so mailifii... (careta virtual) Vicaria: Hahahaha... é verdade (não entendi nada...) Zoião: qual antiviros é melhor? Esse tal de avasti de uma figa é bom? (careta virtual) Vicaria: É bom, mas é pesado né... Vou te passar um... Zoião: cara, mas esse é mailifii mesmo? (careta virtual) Vicaria: sim, mas o que significa "mailifii"? Zoião: É uma mistura, de bom pra nada... Vicaria: Ahhhh... (aí eu entendi que ele queria dizer "my life") Zoião: Entendeu? Vicaria: Sim, e o "mizanpli"? Zoião: É um tipo "e da algo pra mistura" Vicaria: Entendi... (entendi nada!) Zoião: Sabe como faz pra conversar com varios ao mesmo tempo? Vicaria: Sim, quer que eu coloque a Glauce na conversa? Zoião: Sim.
Glauce está na conversa
Vicaria: Pronto Zoião: Olha a Glauce qui massa! To aprendendo ingleis com Vicarios... (careta virtual) Vicaria: Ela tá ausente, escreve uma mensagem bonita para ela ver quando voltar... Zoião: Rau ari ur... Pro Glauci (careta virtual) Vicaria: Mais inspiração, Zoião... Zoião: Disbuki endenteibol (careta virtual) Vicaria: Agora sim!
Para quem não é de São Paulo, aqui está a oportunidade de ver como o dia nasce na avenida mais movimentada da América Latina. Só que este cenário é peculiar: nem os paulistanos estão acostumados a ver sua avenida predileta assim, encoberta.
A cidade acordou coberta por um nevoeiro (e um frio que o termômetro da quarta foto não mostrou), o que gerou imagens fantásticas. Pena que eu passei bem no trecho que está em obras, mas, mesmo assim, é doido.
Acordar cedo também tem seu lado bom... Aliás, até publico aqui imagens de outras cidades, se vocês me mandarem (o que seria irado).
Quando chego em São Paulo após uma cobertura de corrida, sempre tenho a sensação de que está faltando alguma coisa. Neste momento, por exemplo, sinto isso. Apesar de todas as limitações de tempo (acordar bem cedo e passar o dia inteiro no autódromo, boa parte dele sentado e escrevendo), confesso que fico extremamente feliz quando uma viagem é confirmada.
São três, quatro, ou até cinco dias onde fujo da realidade de viver aqui na megalópole. E neste período, tenho a chance de curtir em tempo real e 24 horas as pessoas especiais que moram longe de mim (é nessas horas que eu odeio a distância, mas agradeço a invenção do Nextel) como se elas fossem vizinhas - ou até mesmo os que moram perto neste labirinto gigante, mas, assim como eu, trabalham feito camelos. Tem também o lado das picuinhas sociais do meio, comuns em qualquer ambiente. Faz parte, mas isso não me interessa e nunca interessou. Afinal, o que vale é curtir o lado bom das coisas.
Não tenho a praticidade do meu quarto, nem o cheirinho de baba do meu travesseiro, muito menos a variedade de roupas para escolher, mas, cá entre nós, cama de hotel é um espetáculo. Larga, comprida, talvez é a única coisa que eu trocaria no meu quarto de casa (afinal, sempre quis um colchão de molas). O único problema é que fico muito pouco tempo nela...
E também são dias onde sou dono do meu próprio nariz. Não sou muito chegado a dar satisfações. O pessoal de casa fica louco, mas sou assim, mesmo. E como as pessoas que gosto estão geralmente do meu lado nessas trips, até esqueço que existe São Paulo, casa, escritório, família, ônibus, metrô, pós, escala, estresse, enfim, rotina.
Isso sem falar na oportunidade de poder ver carros na pista, cheiro de gasolina, pilotos vestindo suas indumentárias, sentir o ritmo frenético das pessoas que correm de um lado para o outro, testemunhar o investimento de centenas de milhares de reais e dólares para organizar um evento que, no fundo, tem três dias, mas apenas duas horas interessam. Pelo menos para o campeonato.
Nesses momentos, o trabalho, para mim, é apenas um detalhe. Faz parte, está inserido no contexto, sai automaticamente. Como se estivesse contando o que vi, sem pensar muito em estilo, apenas escrevendo o que achei mais importante, ou relevante, ou emocionante, ou o que considerar do caralho (claro, seguindo as regras da profissão). Apesar do cansaço normal no fim do dia, nem parece que passei 12 horas na labuta. Parece, na verdade, que passei o dia no parque de diversões.
E as histórias que acontecem, então. Algumas hilárias; outras, impublicáveis. Que fazem valer todo o esforço de um dia inteiro e animam para encarar mais um dia. Quantas vezes já me peguei me questionando: "Poxa, hoje já é domingo? Que merda...". Meu pai me chama de doido e vive perguntando que faria se tivesse uma familia formada, com esposa, filhos e esse monte de viagens. Minha resposta? "Quando isso acontecer, eu respondo. Vai que eu arrumo uma doida com sangue de gasolina..."
Tem gente que não gosta, tem gente que não se adapta, tem gente que vai pensando no dinheiro, tem gente que pensa no glamour, tem gente que vai para arrumar casamento, tem gente que vai lá para pegar latinha, tem gente que vai por obrigação, tem gente que vai só por ir. Eu vou porque amo muito tudo isso. E pretendo fazer isso para sempre.